Selo
de Qualidade
Pegue o seu
caso tenha sido premiado
30 de dez. de 2007
Mais um ano encerra-se. Leva consigo as lembranças de momentos trágicos, patéticos e, pessoalmente falando, muito alegres. No cômpito geral, analisando o mundo todo, qual a mensagem que fica na cabeça da maioria? compra mais, meu senhor!; olha só que pechincha!; você não pode perder esta chance!!! Quanto mais o tempo passa, mais consumista fica o indivíduo. Qualquer bobão sem-calças que aparece na TV vira celebridade e conseqüentemente faz apelos televisivos para a compra de artigos inúteis que só serve para ocupar espaço nos lares. E o pior: o povo compra. Até deputados e senadores são comprados. Tanto fora da legalidade (mensalão por caixa 2), como dentro da lei (emendas parlamentares ao orçamento; cargos em ministérios e secretarias). E pra comprar vale de tudo, desde prestígio até carnê em que se vende a própria alma. A explosão das financeiras e do crédito consignado fez com que jorrasse uma montanha de dinheiro no mercado, fazendo com que plebeus e enforcados pela dívida conseguissem artigos indispensáveis para a existência humana: DVD, massageador de pés, sanduicheira, além de um pôster do Bon Jovi. Assim como o governo, o povo gasta muito mal o seu dinheiro (e vive sempre apertado).
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Por falar em compras, será que todo pobre é surdo? Não há um comercial de estabelecimentos populares¹ que não seja feita através do berro. Que grande parte dos brasileiros é analfabeta (funcional e de carteirinha) todo mundo sabe. Mas isso não constitui problemas auditivos (até porque, o Centro Auditivo Telex faz um comercial bem baixinho). Marketeiros, pensai! O convenciomento é proporcional ao volume e ao tom da voz? Churchill, Don Corleone e Cap. Nascimento falavam baixo... ______________________ 1. Casas Bahia®, Insinuante®, Ponto Frio®, Casa e Vídeo® e outras que não quiseram gritar no meu ouvido para pagar o jabá...
Paz e Lutas Cristovam Buarque em O Globo - 22/12/2007
Os índios Aymara, que habitam há séculos as margens do lago Titicaca, nos Andes, defendem a necessidade de sete diferentes tipos de paz. A primeira é para dentro de si. Consigo próprio, na saúde do corpo, na lucidez da mente, no prazer do seu trabalho, na correspondência dos seus amores. Sem paz consigo, você não está em paz. A segunda é para cima. Com os espíritos de seus antepassados, com a vontade de Deus. Se você não está em paz com o mundo sobrenatural, espiritual, com a metafísica da sua existência, sua paz fica incompleta. A terceira paz é para frente, com seu passado. A arrogante cultura ocidental põe o passado para trás. Já os Aymara põem o passado à frente, porque ele é o conhecido, o visto, o vivido. Se você tem remorsos, dívidas não pagas, culpas, arrependimentos, não está totalmente em paz. A quarta é para trás, com seu futuro. Quem tem medo do que virá, está assustado com dívidas a pagar, com o emprego incerto, esperando más notícias, não está em paz. A quinta é para o lado esquerdo, com seus próximos. Sem a paz familiar, não há paz. A disputa doméstica, o descontentamento com familiares e amigos próximos tira o sentimento de paz. A sexta paz é para o lado direito, com seus vizinhos. Não adianta a paz em casa se, do outro lado da rua, estão a ameaça, a maldição, o descontentamento. A última paz é para baixo, com a terra em que você pisa, de onde virá seu sustento. Se vier tempestade, se o solo secar ou tremer, não haverá paz completa. Para cada leitor, eu desejo esses sete tipos de paz, com base na sabedoria dos Aymara. Mas desejo também que, além das sete formas de paz, você tenha planos para construí-las. Das sete, cinco dependem apenas de você e sua família, de sua introspecção, sua espiritualidade, suas amizades. Mas duas, para a direita e para baixo, dependem de sua ação social e política. Dependem de luta. No mundo global de hoje, os vizinhos são todos os seres humanos, começando por seus conterrâneos nacionais. Para nós, brasileiros do século XXI, nossos vizinhos são 185 milhões de compatriotas. A paz de cada brasileiro depende do bem-estar de cada outro brasileiro, sem fome nem violência. Por isso, se queremos a paz completa, temos de agir para alcançá-la. A paz no seu lado direito não estará completa enquanto todos os brasileiros não tiverem a mesma chance na vida. O caminho é lutar, em 2008, para que o Brasil comece sua revolução por uma escola igual para todos. Da mesma forma, é preciso colocar nos seus planos para 2008 a luta pela proteção da natureza, o início da revolução por um desenvolvimento sustentável. Sem isso, você não terá paz para baixo, com a mãe Terra. Nem vai garantir a mesma chance entre gerações, deixando os próximos brasileiros sem acesso ao mesmo patrimônio natural. Esses dois planos de luta para 2008 são necessários, para que você tenha paz para baixo e para o lado direito, com a Terra e com a humanidade. Em especial, com todos os brasileiros. Além disso, sem dedicação e generosidade, você não terá, nem merecerá, as outras cinco formas de paz. É impossível ter paz com Deus tendo crianças sem escola, ou destruindo a Amazônia. Como não ter remorso sabendo que já perdemos cinco séculos de história? Como ter paz com o futuro, sabendo que estamos despedaçando nosso país e o mundo? E como ter paz com a família, quando filhos e netos perguntarem o que você fez para evitar a tragédia? Desejo a cada leitor muita paz. A paz completa dos Aymara, e uma vida que assegure tanto as cinco formas de paz vindas de você e da família, quanto as duas outras que vêm da luta política e social de que o Brasil e o mundo precisam. Afinal, Jesus, que deu início a este sentimento natalino, é um exemplo da paz interna e da luta por um mundo melhor, no qual todos vivam em paz. Desejo-lhe sete tipos de paz neste Natal, e que, em 2008, você lute para ter direito a eles. Feliz Natal, Próspero 2008, sete formas de paz para você. E muita participação para construí-las. Porque a paz não acontece, ela é construída.
Menino entra no cartório de bandeija na mão e grita: "Olha a cocada!!!" Os servidores ficam em polvorosa, agitam-se e fazem barulho. O menino novamente grita: "Coooocada!!!" O povo, frustrado, se aquieta. Havia entendido bocada.
Manifestação de 6 centrais sindicais faz fortes reivindicações. Querem emprego, mas não querem trabalho: pedem a redução da jornada semanal para que se abram novos postos na indústria. Tal medida pode dar certo em países estrangeiros onde a iniciativa privada pode contratar mais, pois não é tão sobrecarregada de taxas e impostos. No Brasil, fará com que empreendimentos sigam para a banca-rota!
"Por entender que estabelecer cotas para negros nos vestibulares viola o princípio constitucional da igualdade, o juiz Carlos Alberto da Costa Dias, da 2ª Vara Federal de Florianópolis, concedeu a um estudante o direito de concorrer a todas as vagas em disputa no próximo vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A decisão vale apenas para o autor da ação. A UFSC pode recorrer."
Em relação a pseudo-raças, o Brasil institucionaliza o preconceito e o racismo, adotando sistema de cotas. Quanto às cotas para estudantes da rede pública, nada mais é do que um paliativo. Em ambos os casos, é evidente a esquiva do Poder Público em não adotar posturas de investimento no ensino público de qualidade, reformando - e revolucionando - a educação. Prefere medidas de menor esforço.